Últimas indefectivações

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Que riso me dás

"De Split, a propósito da morte de Tomislav Ivic, até Buenos Aires, a propósito da morte do River Plate, passando por São Paulo, Génova e 'Luz', a propósito de guarda-redes


O croata Tomislav Ivic, que morreu na semana passada em Split, aos 77 anos de idade, teve duas brevíssimas e infelizes passagens pelo Benfica. Chegou à Luz pela primeira vez em 1984 para substituir Eriksson, que partira para a AS Roma, e não durou mais de duas semanas porque se terá incompatibilizado com Fernando Martins, o presidente à época, por questões que se prendiam com o seu contrato.

A história deste conflito nunca foi bem explicada em termos públicos, nem pelo Benfica nem pelo treinador, mas correu na altura que Tomislav Ivic pretendia ser pago em dólares e Fernando Martins, patriota, queria cumprir o acordo em escudos, o que levou à ruptura. Tratou-se portanto de um divórcio por razões de câmbio, o que não deixa de ter o seu piquinho de originalidade.

Três anos mais tarde, Pinto da Costa lembrou-se de Tomislav Ivic para ocupar o lugar de Artur Jorge que, depois da conquista da primeira Liga dos Campeões pelo FC Porto, saiu para o Matra Racing de Paris. Ivic foi muito feliz no Porto e ganhou quatro títulos: Campeonato, Taça, Supertaça europeia e Taça Intercontinental.

Foi com Ivic que, com a ironia do costume, Pinto da Costa, inaugurou aquilo que se haveria de tornar um sistema quase infalível nas Antas e, posteriormente, no Dragão: a contratação de treinadores desprezados pelos rivais. Aconteceria ao Sporting com Bobby Robson e aconteceria ao Benfica com José Mourinho e Jesualdo Ferreira. E os três foram campeões a Norte.

Ivic, o croata, regressaria ao Benfica em 1992 e, dessa vez, durou um bocado mais do que duas semanas. Durou quatro meses mas sairia vergado à derrota so seu conflito pessoal com o chamado 'grupo dos russos'. Incapaz de domar o questionável profissionalismo de Yuran e de Kulkov, que faziam o que queriam no Benfica, viu-se sozinho nessa luta e acabou despedido sem glória dando o seu posto a Toni.

Tomislav Ivic era uma figura única e um homem encantador. Estar com ele à mesa era um espectáculo cénico-futebolístico de grande intensidade porque logo transformava garfos, facas, colheres, saleiros, pimenteiros, guardanapos, pão, manteiga e tudo o mais que estivesse à mão em jogadores de futebol, desenhando tácticas sobre a toalha num frenesim empolgante para quem com ele partilhasse dessa paixão e para grande desgosto e perplexidade dos empregados de mesa.

Pegava, por exemplo no saleiro e dizia: 'Este é o Isaías'. E depois pegava num garfo e anunciava: 'E este é o Rui Costa. E quero que os dois joguem assim...'. Depois com o saleiro numa mão e o garfo na outra movia-os sobre a mesa, mudava-os de posição num galope de modo a que pudessem servir melhor João Pinto, na frente do ataque, representado por um saleiro ou por 25 gramas de pasta de azeitona.

Tomislav Ivic, enfim, era um mestre do xadrez com uma noção muito precisa e indiscriminada do tabuleiro porque qualquer tabuleiro lhe servia.

Dá hoje muito que pensar um dos pecados que cometeu, com grande escândalo, na sua segunda passagem pelo Benfica. Ivic entendia que o relvado do Estádio da Luz tinha umas dimensões absurdas que dificultavam a tarefa aos movimentos defensivos da sua equipa quando apanhada em contra-pé. O croata pediu então que o relvado fosse encurtado alguns metros na largura o que foi imediatamente vetado porque só um louco se atreveria a mexer nas dimensões sagradas do tapete da Luz.

Vivia-se ainda uma época em que só a ideia de roubar uns metros de relva ao velho Estádio da Luz era considerada um crime. No entanto, qualquer coisa de muito estrambólica se deve ter passado em tantos milhões de almas porque, dez anos mais tarde, os sócios do Benfica aprovariam com grande regozijo a implosão total da tão amada Catedral, com relva e tudo.

O novo estádio, inaugurado em 2003, tem logicamente um tapete verde novo. E com as dimensões que Tomislav Ivic quis impor em 1992. Ironias...




O último duelo entre o São Paulo e o Corinthians juntou em campo como adversários dois dos mais profícuos goleadores brasileiros dos últimos tempos. Do lado do Corinthians, o avançado Liedson e do lado do São Paulo, o guarda-redes Rogério Ceni que ao longo da sua carreira já marcou mais de 100 golos, números difícil de atingir até por muita gente que joga lá na frente.

Neste frente-a-frente saiu claramente vencedor Liedson até porque marcou três golos a Ceni e Ceni não só ficou em branco como ainda sofreu mais dois golos, sendo que o último, da autoria de Jorge Henrique, resultou de um pontapé de muito longe em que a bola rasteira rolou, foi rolando até ao bem colocado Ceni, mas o problema não foi esse. Ceni até estava no sítio certo só que, quando se baixou para agarrar a bola, deixou-a passar incrivelmente entre as pernas.

Numa tarde de desacerto total do São Paulo, o guarda-redes também teve direito à sua quota-parte directa de fiasco num resultado que terminou em 5-0 a favor do Corinthians.

Aurélio Márcio, um dos fundadores deste jornal, gostava de dizer, quando vinham a propósito assuntos como este, que 'só os grandes guarda-redes dão frangos'.

No seu jeito pragmático, o que Aurélio Márcio queria dizer era que os frangos dos guarda-redes medíocres ou banais nem sequer tinham direito a ser notícia de jornal. E que apenas as altas expectativas depositadas num guarda-redes com classe legitimam que lhes chamem frangueiro naqueles momentos aziagos que qualquer um tem na vida, sendo ou não sendo guarda-redes.

A propósito de frangos e de guarda-redes, o presidente do Génova disse na semana passada que Eduardo é 'um excelente guarda-redes mas dá sempre quatro ou cinco frangos por época'. De acordo com a velha teoria de Aurélio Márcio a única coisinha que estará a mais nesta frase do presidente do Génova é a palavra 'mas'. Porque se Eduardo é um excelente guarda-redes torna-se inevitável que dê por época quatro ou cinco frangos.

Ao estranho caso de Roberto no Benfica não se aplica nem o ditame de Aurélio Márcio nem a conclusão do presidente do Génova. O problema maior em que Roberto se tornou é de índole diferente. O guarda-redes espanhol ao dar quatro ou cinco frangos da praxe logo na pré-temporada, como estarão recordados, esgotou o stock a que legitimamente tinha direito para a época toda.

Num destes das, 'A Bola' puxava Roberto para a primeira página e titulava que o Benfica estava 'a tratar com pinças' do constrangedor tema da baliza encarnada. É um assunto sério de primeira página que não faz sorrir os benfiquistas. A não ser que estivessem, como eu, a ler 'A Bola' à mesa de um café de um bairro popular de Lisboa e fossem interrompidos por um cliente gingão que, deitando uma olhadela para o título do jornal, se saísse com esta:

-Pinças? Só agora é que vêm com as pinças? Cinco pinças tem este gajo em cada mão no lugar dos dedos... raios os partam a todos!




NA Argentina, o River Plate desceu de divisão. O clube tem 110 anos de história e 33 títulos de campeão que não foram suficientes para impedir a humilhação sofrida no domingo no seu próprio estádio, o mítico Monumental. Jogadores em lágrimas, adeptos desesperados, violência nas ruas e um presidente, Daniel Passarella, de cabeça perdida, jurando que só sai do clube 'com os pés para a frente'.

A frenética Buenos Aires, à semelhança de outras grandes cidades ainda que menos frenéticas, tem dois clubes cuja rivalidade faz parte do tecido social e cultural da cidade: River Plate e Boca Juniors. Como é normal nestes casos, as tristezas de um são as alegrias dos outros.

Permito-me, portanto, transcrever, e em castelhano porque tem mais salero, uma notícia do diário desportivo 'Olé', de Buenos Aires, relatando como é que a despromoção do River foi vivida no bairro do Boca. Sob o título 'Que risa que me das' pode-se ler: 'En La Boca, se festejó com caravana, pirotecnias, bombas y alegria. Sí, los habitantes de Boca salieron por las calles del barrio a gozar com la desfracia de lo rival de toda la vida.'

Futebol, esse esperanto social da modernidade."


Leonor Pinhão, in A Bola

O senhor Águas

"Nunca admirei tanto um atleta como admirei José Águas. Para quê, portanto, ir ao futebol se ele já não se encontra no estádio?
Há mais de trinta anos que não assisto a um jogo de futebol. Não conheço os estádios novos, vejo, às vezes, um bocadinho na televisão. Mas entre os dez e os vinte anos não falhava um jogo do Benfica. E não falhei enquanto Águas jogou. Claro que não era apenas Águas: era Costa Pereira, Germano, Ângelo, Simões, Eusébio, Cavém, o grande Mário Esteves Coluna que Otto Glória considerava o melhor jogador português, outros mais artistas que jogadores, como José Augusto, por exemplo, a todos estou grato pela beleza e a alegria que me deram, porém nunca admirei tanto um atleta como admirei José Águas. Para quê, portanto, ir ao futebol se ele já não se encontra no estádio? Era a elegância, a inteligência, a integridade, o talento, e ao pensar em escrever o meu desejo era ser o Águas da literatura. Vi Pelé, Didi, Nilton Santos, Puskas, Di Stefano, Santamaria, tantos outros génios, no tempo em que o futebol não era ainda uma indústria nem os jogadores funcionários competentes, comandados por esse horror a que chamam técnicos: era pura criação, uma actividade eufórica, uma magia cinzelada, uma nascente de prazer, uma inspiração, um entusiasmo. Águas foi tudo isso e, muito novo, ganhou o respeito dos colegas, dos adversários, dos jornalistas da época, que os havia de grande qualidade, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Aurélio Márcio, Homero Serpa, tantos outros. Não jogava futebol: criava futebol, respirava futebol, inventava futebol, e teria sido um privilégio para mim conhecê-lo. Não para falar com ele, para o ouvir. A sua beleza física invulgar distinguia-o de todos os outros, a forma de se mover em campo era única, a autoridade sobre os companheiros natural e humilde. Os miúdos que iam comigo à bola chamavam-lhe senhor Águas, sem sonharem que era desse modo que Simões e Eusébio o tratavam, como tratavam Coluna. Senhor Águas, senhor Coluna. Reconhecíamo-lo, do alto do terceiro anel, no estádio de então, onde, de tão longe, os jogadores minúsculos, pelo modo de correr, se deslocar no campo, passar, rematar, reconhecíamo-lo pelos seus golpes de cabeça, inimitáveis, pelo sentido da ocupação do espaço, pela simplificada geometria do seu futebol. Não tinha a garra de Ângelo ou Cavém, a força de Coluna, o gigantesco talento de Eusébio, o poder do drible de Simões, a velocidade de José Augusto: era uma espécie de rei sereno e eficaz, um aristocrata perfeito. Até a andar os olhos ficavam presos nele, na harmonia dos gestos, no modo de ajeitar bola, e eu, criança de dez anos ou adolescente de quinze, pensava tenho de trabalhar mais esta página, ainda não chego aos calcanhares de José Águas. Escrever como ele jogava, com a mesma subtileza e a mesma eficácia. Escrever como a equipa do Benfica, umas vezes à Ângelo, outras à Germano, outras à Coluna, e finalizar à Águas. Nunca deve ter ouvido falar em mim nem podia adivinhar que um garoto qualquer o tomava não apenas como mestre de futebol mas como mestre de escrita. Só, mais tarde, certos saxofonistas de jazz, Bird, Coltrane, Webster, Coleman, Hodges, alguns mais, tiveram, sobre o meu trabalho, influência semelhante. Mas Águas foi o meu primeiro e indisputado professor: escreve como ele joga, meu estúpido, aprende a escrever como ele jogava. Como morava em Benfica via-o, às vezes, no autocarro do clube e ficava, pasmado de admiração, a fitá-lo. Isto lembra-me o meu irmão Nuno chegando a casa de dedo no ar
- Toquei no Eusébio, toquei no Eusébio
como provavelmente, eu o faria, porque na infância e na adolescência o futebol era, para além de uma aprendizagem do mundo, um prazer infinito. A cor dos equipamentos
(o meu amigo Artur Semedo:
- Não sou um homem às riscas, sou homem de uma cor só)
a entrada em campo, o hino, tudo isto me exaltava e fazia feliz. E as vitórias, comemoradas em Benfica com bebedeiras eufóricas. Uma das minhas glórias secretas, confesso-o agora, consiste em ter visto a fotografia do meu pai no balneário do hóquei em patins do Benfica, de ele ter estado no Campeonato da Europa de 1936, em Estugarda, com vinte ou vinte e um anos, e de brincarmos com uma caixa de lata cheia de medalhas, a que o meu pai não dava importância alguma e eu considerava inestimáveis. Há pouco, a minha mãe
- O que faço eu a isto?
exibindo-me uma espécie de troféu ou de placas num estojo, que alguns anos antes de morrer a Federação de Patinagem lhe entregou, juntamente com outras antigas glórias, e que me recordo de o meu pai, que não saía, ir receber com satisfação secreta. Mas, claro, eu era só filho do Lobo Antunes, não era filho do Águas, e ainda sei medir as distâncias. Portanto, o que vou eu fazer a um campo de futebol se ele já não joga? Seguir os funcionários competentes de um negócio? Assistir ao bailado dos técnicos? Ver a fantasia substituída pela sofreguidão, a ambição pela avidez, o amor ao clube pela violência idiota? Claro que continuo a querer que o Benfica ganhe. Claro que sou, como em tudo o resto, parcial, sectário, por vezes sem bom senso algum. Mas há séculos que não sofro com as derrotas e, sobretudo, não choro lágrimas sinceras com elas: estou-me nas tintas. Contudo voltaria a trotar, radiante, para assistir à entrada em campo de Costa Pereira, Mário João, Germano, Ângelo, Cavém, Cruz, José Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões, a agradecer-lhes o facto de me terem, durante anos e anos, colorido a existência. E talvez no fim do jogo, postado junto ao autocarro, quando os jogadores saíssem do balneário, o senhor Águas me apertasse a mão."


Caminhada...

Fonte: Mágico SLB

Só falta conhecer os nossos 'verdadeiros' adversários, mas esses só na semana anterior aos respectivos jogos é que são conhecidos (publicamente!!!)...

O anúncio de shampoo e os 30 trafulhas...

" 'Diogo: que tens tu na cabeça', pergunta uma voz cândida. E o rapaz, que não sei o que terá na cabeça, mas sei não ter um pingo de vergonha na cara, responde: 'seriedade... idoneidade...'

De memória curta, o moço esqueceu-se que não há muitos anos plagiou uma peça de teatro de um actor polaco e a levou a cena como se fosse da sua autoria. Deve ser isso que ele entende por seriedade e idoneidade. O seu dicionário é muito particular. Ou talvez nem tanto. Se perguntarem àquele pobre imbecil que semanalmente vomita num jornal uma página de adoração e admiração por certa gentalha corrupta que há muitos anos deveria ter desaparecido do mundo do futebol o que tem na cabeça, ele certamente responderá: seriedade... idoneidade. E esquece as páginas inteiras copiadas de outros autores com que encheu as páginas da sua burlesca pseudo-obra histórica que vendeu com batata frita de pacote.

Seriedade... idoneidade... é isso que se espera que haja na cabeça de um juiz de Direito. Infelizmente, são cada vez mais os cretinos que abraçam a profissão. 30 deles, ainda na fase de aprendizagem, resolvem copiar em grupo num exame. São 30 trafulhas a pedir meças aos ladrões do Ali Babá. Que importa? Recebem o seu prémio em nota 10, e todos são aprovados administrativamente por uma direcção que aprova a pouca vergonha. São 30 trafulhas que em breve serão juízes. 30 juízes trafulhas, prontos a compactuar com as sinistras figuras corruptas que terão de julgar. E vocês estranham que apesar de todo o nojo trazido a público nas escutas do «Apito Dourado» ninguém tenha sido preso? Perguntem a cada um dos 30 trafulhas que se preparam para ser juízes o que têm na cabeça e ouvirão a resposta do actor tonto e do autor ordinário que plagiam peças de teatro e copiam parágrafos inteiros de livros: seriedade... idoneidade...

Perguntem a D. Palhaço o que tem ele na cabeça além de prostitutas baratas. Se calhar seriedade e idoneidade... E aí estão na forja mais 30 juízes prontos a acreditar nele como quem acredita em Deus."


Afonso de Melo, in O Benfica

Humildade

"Cumpriram-se recentemente 50 anos sobre a conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, momento que constitui, provavelmente, o ponto mais alto de toda a nossa história centenária.
Os relatos da altura recordam uma equipa com excelentes executantes, mas, sobretudo, com uma elevada dose de humildade. Ainda não havia Eusébio, e só com uma mistura perfeita de qualidade técnica, humildade, e capacidade de sofrimento, foi possível suplantar o poderosíssimo Barcelona - já então recheado de estrelas de renome mundial, e considerado o grande favorito dessa final.
Se recuarmos um pouco mais no tempo, veremos outra equipa de combate a triunfar extramuros. Falo do conjunto benfiquista que, em 1950, venceu a Taça Latina (competição que alguns querem agora menosprezar), arrecadando o primeiro troféu internacional da história do futebol luso. Foi com arte, engenho, mas sobretudo com muita humildade, que um clube então ainda pouco conhecido além-fronteiras, se superiorizou na prova europeia mais importante da altura. Por cá, vivia-se em plena época de “violinos”. Eram eles os grandes e famosos. Nós… apenas os outsiders, os “pés rapados” que, com arreganho, trabalho e luta, os conseguiríamos suplantar depois, tornando-nos então no maior e mais popular clube português.
A humildade está pois na génese dos nossos principais triunfos, e é parte integrante da matriz central da nossa identidade. Uma atitude humilde e lutadora, acompanhou sempre o crescimento do nosso clube, desde os tempos da Farmácia Franco até ao topo do mundo.
Decorridos muitos anos, e muitas vitórias, nem sempre temos sabido relevar esse passado. Do alto de uma gloriosa saga europeia, do alto dos muitos títulos nacionais, do elevadíssimo número de associados, e de um incomparável mediatismo, permitimos que o Benfica se tornasse, por vezes, um clube altivo e sobranceiro. E essa é, hoje, uma das nossas principais fraquezas.
Tenho abordado aqui, ao longo das últimas semanas, aspectos que, no meu modesto entendimento (e enquanto mero adepto de bancada), podem contribuir para que as próximas temporadas do futebol encarnado sejam substancialmente mais felizes do que aquela que terminou. Depois de falar da força física, e da força mental, creio que a humildade (a todos os níveis) deve também figurar no elenco.
O Benfica é o clube mais odiado do país. Não o é apenas nos recintos dos nossos principais rivais (FC Porto e Sporting, que competem entre si para ver quem mais nos detesta), mas também em quase todos os estádios que visita, seja em Braga, em Guimarães, em Setúbal, em Olhão ou em Leiria. Tratando-se de um clube que apenas foi campeão duas vezes nos últimos 18 anos, esta não é uma situação comum, sobretudo havendo quem tenha ganho muito mais títulos durante esse período, e não seja objecto da mesma antipatia. Haverá razões que se prendem com o mediatismo que sempre nos acompanha, mas muitos dos adeptos desses clubes são peremptórios quando nos acusam de arrogância, soberba, mania das grandezas, e outros epítetos similares. Independentemente das razões que os possam assistir, esta é uma situação que temos de saber reverter, e creio que um discurso de maior modéstia poderia ajudar bastante.
A paixão pelo futebol, e por um clube, não é coisa que se explique nas cátedras da racionalidade. É difícil exigir do adepto comum uma postura de total realismo e objectividade. Mas não há forma de encarnar a humildade de que necessitamos se não tivermos (todos) uma noção real daquilo que hoje somos, e daquilo que efectivamente valemos. O passado não ganha jogos, e o Benfica da actualidade, para crescer, não pode viver sentado à porta do seu extenso e cintilante salão de troféus. Há que perceber que, em termos futebolísticos (e é disso que aqui se fala), perdemos claramente a hegemonia interna, e que ninguém vai ficar parado à espera que – por direito divino - a reconquistemos. Há que perceber também que, no plano externo, não somos mais que um clube mediano, numa Europa onde outros têm conseguido, ainda assim, brilhar. Só partindo desta cristalina realidade, encontraremos a estrada que nos pode levar ao futuro de glórias que o nosso passado fez por merecer.
A humildade tem de começar em cada um de nós, benfiquistas, e estender-se até profissionais e dirigentes. Não podemos afirmar, no início de cada época, que vamos ganhar este mundo e o outro. Não podemos pensar que, só porque nos chamamos Benfica, a cada conquista corresponderá necessariamente um ciclo esmagador, como se os adversários não existissem. Não poderemos entrar em (nenhum) campo, convencidos de que as camisolas chegam para impor os resultados que desejamos, até porque somos aquele a quem todos querem ganhar.
A humildade tem de estar no discurso, e tem de estar na acção (de dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos). É um fato que todos temos de vestir, e sem o qual não estaremos em condições de alguma vez fazer reviver as sagas vitoriosas que os primeiros parágrafos deste texto recordam. Sem humildade, não conseguiremos sequer beliscar a supremacia daqueles que, a bem ou a mal, tomaram o nosso lugar."


Luís Fialho, in O Benfica

Até breve!

"Nuno Gomes foi um dos melhores goleadores de sempre do Benfica, foi capitão de equipa ao longo de várias temporadas, foi um dos grandes ídolos dos adeptos, foi referência de balneário para os colegas mais jovens. Foi sempre um jogador respeitado (inclusivamente por adversários), porque sempre se soube dar ao respeito - quer pelo profissionalismo, quer pela dedicação, quer pelo fair-play demonstrado dentro e fora dos campos, ou até mesmo pela simpatia que nunca deixou de cultivar. Estando à beira de completar 35 anos, o treinador optou por prescindir dos seus serviços. O Nuno Gomes de há uns anos atrás teria lugar no plantel de qualquer equipa europeia. O Nuno Gomes de 2011-2012, no entender de Jorge Jesus (que o conhece bem, e trabalha com ele diariamente), talvez já não pudesse ser opção de relevo na luta pela titularidade.

Por muito que isso custe a aceitar àqueles que (como eu) mais o admiravam, o plantel do Benfica não pode manter jogadores por aquilo que fizeram no passado, mas apenas por aquilo que se espera poderem vir a fazer no futuro. E não creio que alguém esteja melhor colocado do que o treinador para proceder a esse tipo de avaliação.

Tratando-se de quem se trata, o Benfica propôs-lhe (e bem) um lugar na sua estrutura profissional. Nuno decidiu não aceitar, privilegiando a possibilidade de jogar durante mais uma época. Não lhe podemos levar a mal por isso.

Não creio que se deva, contudo, fazer drama à volta desta situação. Recordo que Eusébio terminou no Beira-Mar, depois do Benfica ter recusado o seu regresso. Infelizmente para ele, e para nós, aquele já não era o seu tempo, e esse episódio não impediu que o 'Pantera Negra' tenha hoje uma estátua no Estádio da Luz.

Nuno Gomes não foi Eusébio, mas nem por isso deixará de ter um lugar muito especial no afecto de todos os benfiquistas. Por agora, resta-nos agradecer-lhe o que fez no Clube, desejar-lhe felicidades para esta ponta final da sua carreira, esperando que em breve possa voltar a casa."


Luís Fialho, in O Benfica

Manuel Sérgio

"Manuel Sérgio foi convidado para membro da “estrutura” futebolística do Benfica. Terá a função de consultor.

Foi, nos últimos tempos, a notícia relativa ao Benfica que mais me agradou. Mostra-me um Benfica mais perto da vanguarda, mais perto dos saberes e, logo, mais perto da vitória. Mostra-me que alguém, consciente ou inconscientemente, deu o passo mais importante para se poder conseguir a melhoria. Alguém percebeu que só um Benfica capaz de reconhecer as suas fraquezas e potencialidades competitivas pode melhorar. Saber que o professor Manuel Sérgio foi a pessoa escolhida para ajudar ao desenvolvimento desportivo do Benfica é uma excelente notícia. Significa que alguém se preocupou em pensar a componente desportiva do Benfica como um todo e não como partes independentes. Alguém percebeu que o ‘princípio da complexidade’, o ‘princípio da relação’ e o ‘princípio da motivação’ deverão passar a ser os grandes subordinantes do treino e da competição.

Esta questão parece tão distante do relvado e dos momentos decisivos da bola na trave ou da bola na rede que aparenta ser despicienda. No entanto, que ninguém se iluda, pois já lá vai o tempo em que o futebol estava reduzido a princípios redutores e sujeitos ao carácter aleatório da vontade e da crença espontâneas do futebolista. Hoje, essencialmente devido a pensadores do fenómeno competitivo do desporto, sabemos que esses factores decisivos podem ser compreendidos e condicionados na sua aleatoriedade. A epistemologia da competição desportiva é essencial para compreender a própria competição. Saber que o Benfica deu esse passo é algo que me deixa orgulhoso.

Dado o passo, é importante que agora se saiba aproveitar o passo dado e que dentro da “estrutura” se perceba que o desporto, a competição e o futebol jogado dentro das quatro linhas pode e deve ser verdadeiramente pensado. Só assim, a racionalidade da ideia, do pensamento, pode agir sobre a aleatoriedade do jogo."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Mentalidade ganhadora

"Na sequência dos textos das últimas semanas, que têm procurado identificar aspectos a melhorar no futebol do Benfica, fala-se hoje aqui de força mental, combatividade e agressividade competitiva - elementos que, afinal, definem uma verdadeira mentalidade de campeão.
Entenda-se por força mental, a aptidão para extrair todo o potencial de competências inerentes ao indivíduo ou ao grupo, independentemente dos contextos exteriores. Numa equipa de futebol, isto traduz-se na capacidade de jogar constantemente ao máximo que o potencial técnico-táctico dos jogadores permita, sem quebras causadas por factores anímicos, sem excessos de confiança nem medos, sem permeabilidade a qualquer tipo de pressão exógena, e com a saudável agressividade que se exige em todos (mesmo todos) os momentos de competição. Simplificando, trata-se de tornar cada jogo numa final, e cada momento desse jogo no momento de decisão dessa final, sejam quais forem as circunstâncias que o rodeiem.
Sei que a comparação não é simpática, mas se olharmos para o FC Porto, constatamos uma particular habilidade em lidar com todo o tipo de pressões e condicionalismos, quer os positivos (enfatizando-os e explorando-os ao máximo, nunca permitindo que resvalem para a sobranceria), quer os negativos (eliminando-os, ou revertendo-os a seu favor). O que daí resulta é uma equipa confiante, motivada e agressiva, capaz de render a top em qualquer campo, e em qualquer situação, durante um ano inteiro. Imagino que não seja tarefa fácil implementar tão forte mentalidade. Mas que ela significa meio caminho andado para a obtenção de títulos, não restarão muitas dúvidas.
No caso do nosso rival, o contexto geográfico e cultural ajuda bastante. Trata-se de um clube fundado sob uma bandeira regionalista, e que tem alimentado uma cultura de conflito, e de trincheira, que contribui para o manter em constante vigília. É dessa fonte que bebe o fanatismo dos seus adeptos, que, confundindo e misturando – deliberadamente -, o FC Porto com a (sua) cidade, e com a (sua) região, sentem derrotas e vitórias num plano diferente ao da mera paixão clubista, e reagem em consonância. Isso é habilmente transportado para o interior do grupo (com lavagens cerebrais intensivas, como contam antigos jogadores), e reflecte-se num balneário ferreamente determinado em vencer (e, particularmente, em vencer-nos), onde a disciplina e o recato não deixam de desempenhar um papel vital.
Transpor uma cultura deste tipo para o Benfica é bastante mais difícil. Somos um clube universalista e cosmopolita, nascemos e vivemos numa cidade que também o é, e o conflito não está no âmago da nossa matriz identitária. Os adeptos do Benfica não têm qualquer familiaridade política, cultural, regional ou religiosa a ligá-los entre si, olham para o futebol com paixão, mas sem rancores nem complexos paralelos, o que também lhes retira militância, realidade que escorre para a estrutura e para a equipa. Há pois que encontrar mecanismos capazes de dotar o nosso clube de equivalente vitamina motivacional, e aqui, creio que o próprio adversário, as suas vitórias, e a sua arrogância, podem ser um elemento a explorar melhor.
Por outro lado, é também necessário fomentar uma relação de grande cumplicidade entre jogadores e clube, cultivando exigências, mas também afectos. Por muito genial que seja a gestão, por criteriosas que sejam as escolhas, por melhores condições materiais de trabalho que existam, são os jogadores, dentro do campo, que transportam a mística, que marcam os golos, que obtêm os resultados, que nos dão as alegrias e tristezas, e que, em suma, determinam o sucesso ou o insucesso do clube.
Sendo o futebol uma espécie de representação da guerra - embora sem vítimas -, uma equipa forte terá de se assemelhar a um exército militar, onde a disciplina e o rigor não podem permitir hiatos, cedências ou excepções. O clube tem de estar acima de tudo e de todos, e a exigência tem de ser total e quotidiana. A pressão de trabalhar nos limites deve vir, contudo, acompanhada de uma cuidada protecção contra factores, externos ou internos, que possam de alguma forma tornar-se perturbadores. Jogadores infelizes, preocupados ou ansiosos, não poderão nunca explorar o seu potencial máximo, e é ao clube que cabe protegê-los.
Só com uma simbiose perfeita entre clube e profissionais ao seu serviço, só criando uma cultura de clã, que abra espaço a um forte sentimento de exigência individual e colectiva, e seja capaz de fazer concentrar todas as energias no combate aos adversários, poderemos ver os jogadores do Benfica a superarem-se, a comerem a relva (se necessário for), e a imporem a sua capacidade em qualquer relvado, em qualquer competição, em qualquer jogo, e em qualquer momento de cada jogo. Só deste modo será possível caminhar para um espírito de conquista que leve os nossos jogadores a alcançar ainda mais vitórias e títulos do que aquelas que o seu talento permita, construindo a sua e a nossa felicidade."


Luís Fialho, in O Benfica

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Aceito venda do Coentrao, se . . .

A noticia do Jornal "A MARCA" diz que o Real apenas oferece 15 M + 1 Jogador.

Bem:

Se esse jogador for um destes:

  • Casilhas
  • Ronaldo
  • KaKa
  • Xabi
  • Özil
e suportando parte do vencimento, qualquer valor a cima de 150.000 € era responsabilidade do Real.


OK pode ser.


Unidade benfiquista

"Por que será que quase ninguém percebeu que a derradeira temporada do Benfica foi a terceira melhor da última década? A razão tem muito a ver com a fase terminal do ano competitivo, excepção feita ao triunfo da Taça da Liga. A última imagem é a que perdura? No Benfica, seguramente, foi assim.

Maiores responsabilidades, perante um cenário de interrogações, esperam a equipa de futebol profissional na abertura da nova época. Um bom começo fará esquecer as angústias do ano anterior e só poderá reforçar o alicerce emocional de toda a nação benfiquista. Entretanto, são muitas as alterações. Ponderadas? Importa admitir que sim, importa conceder capital de confiança aos responsáveis directivos e técnicos. Só com a bola a rolar será possível perceber o que valerá o Benfica na nova versão. O defeso fica, por ora, recheado de incidências. Não há unanimidade no universo vermelho, há mesmo algumas vozes cépticas ou mesmo críticas? Fundamental é que, logo que se inicie a competição, nenhum benfiquista enjeite o apoio que a equipa justifica. Um Benfica unido, coeso, determinado, diz respeito a todos, não apenas aos profissionais que servem o Clube. O início da temporada anterior foi sinistro, tantas injustiças vitimaram a equipa e condicionaram o seu comportamento ulterior. O filme não se pode repetir e todos, todos mesmo, têm que perceber quão decisivo é cerrar fileiras e avançar com audácia para uma temporada de sucesso.

A bola não tarda a entrar em movimento. A equipa, essa, é que não pode esperar pelo apoio de todos os associados e simpatizantes. Só vence uma luta árdua quem apaixonadamente lhe empresta toda a convicção, toda a firmeza, toda a vontade."


João Malheiro, in O Benfica

Sem dívidas

"1. Não vi referência em nenhum lado e foi abordado ao de leve na Assembleia Geral da semana passada mas, para mim, foi dos raros pontos positivos daquela noite: o Benfica-Clube nada deve à banca. Zero. O ponto 12 dos 'pressupostos do orçamento', numa das primeiras páginas do documento, afirma: 'Inexistência de gastos com encargos financeiros em consequência do pagamento da totalidade da dívida bancária'. A Benfica-SAD tem um largo (mas julgo que controlado) passivo, mas o Benfica-Clube está a zero. Quando se fazem comparações com os outros, apenas se referem às SAD's, cujas contas são (obrigatoriamente) públicas. E as contas dos clubes e das outras empresas e eles associadas?


2. Ainda sobre a última AG. Houve várias intervenções a contestar a Direcção e o Presidente. Nada que não seja normal num clube democrático como o Benfica sempre se orgulhou de ser. Algumas destas, embora eu não concorde com o seu teor, foram correctas. Outras não estiveram à altura do Benfica. Como não estiveram alguns associados mais jovens, que não souberam respeitar quem estava no uso da palavra. E o Presidente fez mal em responder-lhes directamente. Aquilo era assunto para o presidente da AG, que aliás controlou a reunião de forma muita positiva.


3. A estrutura do futebol do Benfica foi reforçada com a entrada do António Carraça, que ficará próximo da equipa, libertando Rui Costa para funções mais abrangentes (e próximas do presidente Luís Filipe Vieira) e que passam pela contratação de jogadores. Afinal, onde estão todas as divergências de que alguns jornais se fizeram eco ao longo de várias semanas?...


4. Segundo refere a imprensa, o DIAP do Porto está a investigar um alegado jantar entre Pinto da Costa (e os seus habituais amigos) e a equipa de arbitragem do jogo com o Villarreal, noticiado em tempos pelo jornal espanhol Marca. Já se sabe que (desta vez...) o presidente do FC Porto não jantou com o árbitro. Mas, por acaso, dá jeito que o DIAP do Porto, neste caso, investigue...


5. Em Itália, chegou ao fim o processo do Calciocaos (escândalo da viciação de resultados). A Juventus já perdera os títulos conquistados em 2005 e 2006 e o seu antigo director-geral, inicialmente castigado por 5 anos, foi agora irradiado. Por cá, quem viciou resultados ficou impune e ainda é considerado o 'maior'..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Aviso prévio

"Um amigo meu que vê ao longe em matéria de desporto, em geral, e de futebol, em particular, previa um dia destes que as baterias do 'sistema' fossem atestadas novamente contra o Benfica no início do próximo campeonato. Na época finda, foi o que se viu: 3 derrotas nos 4 primeiros jogos do campeonato, cozinhadas porventura em alguma garrida marisqueira.

Para a época que aí vem, o propósito seria idêntico mas com um objectivo bem mais preciso, para além de atrasar o Benfica na pontuação em relação aos emblemas padrinho e afilhados do sistema: tratar-se-ia de desestabilizar a coesão entre a equipa técnica e a liderança e, se possível, levar a uma situação de ruptura. Claro que eu não acredito em bruxas. Mas como elas existem, independentemente da minha crença, fica desde já o aviso prévio. Nós, benfiquistas, estamos de olhos abertos, a prever e a ver as jogadas nos bastidores.

Mudando de assunto, quero daqui desejar as maiores felicidades a Nuno Gomes e que volte depressa e bem ao clube que, como fez questão de declarar a direcção, lhe mantém as portas abertas. A saída de Nuno Gomes, que não me parece ter sido resolvida da maneira mais feliz, foi usada contra o Benfica em certos casos com a mais refinada das hipocrisias. Um sempiterno dirigente federativo, por exemplo, disse mesmo que Nuno «faria falta a qualquer equipa», sendo que há muito que a FPF não sente a falta do jogador na selecção, tendo já mesmo recorrido à compra de portugueses para o seu lugar na loja das conveniências.

Quanto a entradas e saídas espero que se realizem algumas das aquisições faladas e que não se concretizem todas as saídas propaladas. E que o Benfica fique com um plantel capaz de lutar pelo título desde a primeira jornada, jogando o dobro e com elevada nota artística."


João Paulo Guerra, in O Benfica

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vitória do trabalho...



...finalmente um título nacional absoluto numa modalidade, numa época onde os segundos lugares se 'alastravam', esta vitória da secção de Atletismo (masculinos) teve um sabor redobrado.

15 anos depois o título não fugiu, foram 15 anos onde a modalidade praticamente 'morreu' dentro do clube, chegámos a 'oferecer' atletas ao nosso principal rival, mas renascemos, e sem esquemas manhosos (como alguns...), apostando na formação, com persistência, não desmoralizando, este fim-de-semana fomos mais competentes. No último Inverno o título em Pista Coberta, 'escapou' com um empurrãozinho aos nossos adversários, mas desta vez a festa foi nossa... e tendo em conta o trabalho profundo que tem sido efectuado na secção esta não será uma vitória esporádica, a juventude desta equipa, garante títulos no futuro próximo (a vitória até já podia ter acontecido nos últimos confrontos, mas as lesões não 'deixaram', desta vez a equipa esteve a 100%)...

Ainda não foi desta que as 'meninas' do Benfica venceram, a média de idades ainda é mais baixa do que os 'rapazes', não vai ser fácil retirar o título ao Sporting, até porque a equipa feminina do Sporting é mais homogénea do que a masculina, mas o título de Juvenis a semana anterior é um sinal muito positivo...!!!

É fácil desvalorizar este título, o domínio absoluto do Sporting nas últimas décadas, retirou 'interesse' aos campeonatos. Chegámos ao ponto onde a própria Selecção Nacional se 'confundia' com o Sporting!!!. Recordo que o Atletismo é a modalidade Olímpica mais medalhada de Portugal, o impacto que Campeonatos da Europa, do Mundo, e os Jogos Olímpicos é enorme, pensar que nos próximos ciclos Olímpicos será o Benfica o Clube mais representado na Selecção Nacional, com vários atletas a lutar por finais, e mesmo por medalhas, é extraordinário... E agora é preparar o Taça dos Campeões Europeus!!!

Depois da polémica da 'Pista Coberta', depois do tratamento mal-educado, e ignorante de vários Lagartos em relação à nossa coordenadora da secção, dedico este título à Ana Oliveira, todos ajudaram, a Direcção, os treinadores, os médico, os fisioterapeutas, e claro os atletas (principalmente ao Jorge Paula, por vários motivos, creio que podemos estar na presença da próxima 'estrela' do Atletismo Português), mas...





PS1: Um agradecimento público ao PalCba por ter mantido a actividade do Blog durante a minha ausência, espero que a participação seja para continuar... O Post do Kaka(!!!) foi espectacular, um dos mais vistos da história do Indefectível!!!


PS2: Coloquei duas crónicas 'atrasadas', haveria outras que mereciam destaque, mas férias, são férias...!!!

Uma questão de justiça

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, o seu Presidente, Luís Filipe Vieira e os seus Administradores interpuseram nas Varas Cíveis da comarca de Lisboa acções declarativas de condenação contra a PRESSELIVRE - IMPRENSA LIVRE, S.A., EDISPORT - SOCIEDADE DE PUBLICAÇÕES, S.A. e GLOBAL NOTÍCIAS, PUBLICAÇÕES, S.A., na qualidade de proprietárias, respectivamente, dos jornais “Correio da Manhã”, “Record” e “Jornal de Notícias”, contra os Directores destes, Octávio Ribeiro, Alexandre Pais e Manuel Tavares e contra os jornalistas Eduardo Dâmaso, Tânia Laranjo e Sérgio Pereira Cardoso, todos do “Correio da Manhã”, Eugénio Queiroz, do “Record” e Luís Antunes e Nuno Miguel Maia, do “Jornal de Notícias”.
Em causa estão as notícias publicadas nas edições destes jornais entre 26 e 30 de Maio, pretendendo levantar suspeições graves sobre a SAD, o seu Presidente e Administradores no que concerne à transferência de jogadores. Estas suspeições, desprovidas de qualquer fundamento, lesaram gravemente a honorabilidade e o bom nome da SAD, do seu Presidente e Administradores.
Nos processos judiciais ora interpostos a SAD reclama o ressarcimento dos danos não patrimoniais sofridos que estima em trinta milhões de euros por cada órgão de comunicação e, ainda, danos patrimoniais a liquidar em execução de sentença. O Presidente do C.A. exige, por seu turno, em acções próprias, por danos morais, e por cada título, a quantia de dez milhões de euros.
Finalmente, cada um dos Administradores, também em acções próprias, pede um milhão de euros como montante indemnizatório pelos danos morais sofridos.
A dimensão dos pedidos corresponde à gravidade das suspeições levantadas e ao grau de culpa dos jornais e jornalistas em causa que, ao arrepio das mais elementares regras e deveres deontológicos, infringindo a lei de imprensa e deturpando, consciente e voluntariamente, a verdade, pretenderam ardilosamente construir uma narrativa integralmente falsa que macula seriamente a dignidade e o bom nome do Benfica, do seu Presidente e dos seus Administradores."


Traidores

"No dia 22 de Maio, Pinto da Costa produziu uma declaração bombástica, em entrevista a Fátima Campos Ferreira, declaração essa que não teve o devido destaque na comunicação social. Disse ele, perante a indiferença da entrevistadora: “Se algum clube me oferecesse 5 milhões de euros por ano para eu o ir dirigir, não hesitava em abandonar o FC Porto, e muito menos daria qualquer satisfação aos seus adeptos.” Na verdade, Pinto da Costa não disse isto por estas palavras. Mas disse “Villas-Boas é tão portista como eu”, o que vai dar ao mesmo.
Dirão alguns leitores que só a minha má-fé explica a opção de retirar consequências de uma frase proferida por Pinto da Costa um mês antes de ele saber que André Villas-Boas ia abandonar o clube; ao que eu respondo, não será tanto a minha má-fé quanto as próprias declarações de Pinto da Costa na última terça-feira, 21 de Junho: “Há um mês e pouco, quando o nosso treinador foi um fim-de-semana a Londres, coloquei a Vítor Pereira a questão: está preparado para chefiar a equipa?” Ora, se se confirmar que entre 22 de Maio e 21 de Junho passou menos de um mês, parece-me pacífico que, quando o presidente do FC Porto disse que Villas-Boas era tão portista quanto ele, já desconfiava da lealdade do treinador em relação à causa azul e branca; já sabia que Villas-Boas podia estar a enganar a cadeira de sonho que tinha no Dragão com a mesa das negociações que o Abrahmovich tem no iate. E, equiparando-se a Villas-Boas, pretendeu provavelmente fazer um piscar de olhos a um qualquer clube que estivesse interessado em abrir os cordões à bolsa por um dirigente experiente e dedicado.
A única defesa possível de Pinto da Costa, para além de se argumentar que aquela frase é um dos mais belos exemplos da sua ironia, passará por garantir que André Villas-Boas é efetivamente um portista indefetível, que só saiu para Inglaterra porque sentiu que Vítor Pereira era mais treinador do que ele. E a confirmação de que não é o único a pensar assim veio mais tarde, com a divulgação de que a cláusula de rescisão de Vítor Pereira é 3 milhões de euros mais alta que a de Villas-Boas.
Dito isto, o novo treinador do Chelsea tomou uma decisão acertada, ao demitir-se no final da época. Retirou as devidas ilações em relação ao desempenho da sua equipa na Taça da Liga."


Cornos

"From: Domingos Amaral
To: André Villas-Boas

Caro André Villas-Boas
De facto, és um predestinado. Época brilhante no FC Porto, Supertaça, Campeonato sem derrotas, Taça de Portugal, treinador mais jovem de sempre a vencer uma taça Europeia, e agora isto, o maior “par de cornos” da história do futebol mundial. Ao pé de ti, a ida de Figo do Barcelona para o Real Madrid foi uma brincadeira de crianças. Pelos vistos, és mesmo muito diferente do teu ex-mentor, José Mourinho. Ele é do povo, é conflituoso porque precisava de subir na vida, derrubando o mundo a caminho do topo. Foi-se, mas antes deixou a Champions. Tu, além de só teres ganho a Liga Europa, és de “boas famílias”, tens sangue azul, e isso distingue as pessoas. Há meses, falavas com o desprendimento dos velhos fidalgos, querias era treinar no Japão ou no Chile (!), e os grandes campeonatos não te “entusiasmavam”. Contudo, essa autenticidade, essa humilde aparente, era afinal uma máscara. A maior traição não foi teres saído do FC Porto, mas teres subvertido a identidade que criaras ao longo do ano. A conversa sobre “a cadeira de sonho” não passou afinal de uma conversa da treta, de mais um dos teus “mind games”, e é por isso que aos portistas a tua saída soube a pesadelo. Mesmo a mim, benfiquista, causou mossa. A partir de agora, já não acredito na máxima de que, no futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira. A partir de agora, é tudo mentira, já não se pode confiar em ninguém. Eu sei que, no futebol dos nossos dias, encornar é o que está a dar, mas nunca ninguém encornou tantos, tão cedo e tão fundo."


Começa-se a Dar No DURO

Começou hoje a dar-se no duro para a acelerada preparação da pré-eliminatória da Champions.
30 para ser reduzida a 27! O meu desejo é que JJ decida com sensatez.
O Coentrão deve sair nos próximos dias, mas siga p'ra BINGO.
Os que cá estão, têm é dar bem duro, pois o LASTRO que os mesmos de sempre se preparam para colocar vai ser mais de MUITO.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Epoca 2011 / 2012

Começa hoje a nossa época!

Como a equipa começa na defesa o 1º a chegar foi o Moreira, seguido dos "meninos" da Formação.
Os restantes foram chegando e seguiam para os respectivos exames médico da praxe.
Dia calmo, até agora!
Mais daqui a pouco será oficialmente apresentados os novos equipamentos.
Dando uma volta pelos blog's deu para deprender que dá para todos os gosto.
No meu caso em relação à principal a ser:


Aprovado!!!

A alternativa, a ser:




Não aprecio especialmente, mas...

Preferia em branco como a que fui copiar ao Ricardo (ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.com,Tks):


Gloriosos, toca a apoiar os nossos, pois o lastro vais ser mais que muito!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

REAL Proposta BOMBA ##UPDATE#

Dizem nos corredores que o Real terá proposto pelo nosso mais procurado o 20 M mais KaKa suportando 80% do vencimento deste.

E agora!!!


PS: E agora quero esclarecer o seguinte:
  1. Queria saber qual o prazer que os media têm em publicar noticias FALSAS,
  • R: Nenhum! Por isso, desinformação para desestabilizar será o mais certo!!
2. Mas minhas desculpas pelo " Engano" controlado.

Gloriosos, VAMOS Apoiar o NOSSO BENFICA que vão colocar-lhe muito LASTRO

domingo, 19 de junho de 2011

«Sempre disse que amo o Benfica» - Fábio Coentrão

«Sempre disse que amo o Benfica» - Fábio Coentrão

Quando lhes faltar o pão...

"O jornal da manha voltou a titular, sem qualquer pudor, em paragonas inacreditáveis, outra escandalosa patranha com que pretende ferir, não apenas a personalidade e a honorabilidade do Presidente Luís Filipe Vieira, mas sobretudo, a dignidade do Glorioso.

Estamos habituados, mas não podemos continuar a aceitar passivamente que isto se mantenha, assim, de modo impune.

Sabemos que metade da motivação que, de modo estratégico e sistemático, une os nossos mais reles adversários aos jornalistas de mais baixo carácter, que inventam e publicam tais embustes, é sempre a inveja pela grandeza do Benfica e pela honradez cívica de que Luís Filipe Vieira se orgulha e nos enobrece.

Pensam eles que assim conseguem desgastar-nos e enfraquecer o nosso ânimo. À custa de mentiras e de calúnias. De 'notícias' falsas. De insinuações sem qualquer fundamento. Ou a conjugação de tudo isso, com a frequência em que se entretêm a bolsar esses venenos, jogando com a flacidez da Justiça e dos juízes portugueses.

Mas não conseguirão. Não conseguirão perturbar a serena preparação de mais uma nova época, no mesmo caminho seguro que a breve trecho garantirá definitivamente a nossa estabilidade nas vitórias e o inquietante declínio dos que vivem na ilusão de perseguir o nosso universalismo e a nossa majestade.

Sempre que alguma vez, do nosso lado, pedimos Justiça, como reclamou o Presidente Vieira na última entrevista a Judite Sousa, logo vêm eles com mais insídias, recuperando fantasmas, agitando espantalhos e repetindo os vómitos da canalhice e da infâmia.

Bem sabemos que, à falta de matéria propriamente jornalística que lhes pudesse fazer vender papel, tudo - seja mentira ou verdade - quanto possa ser directa ou indirectamente conotado com o Benfica, constitui garantido factor de venda certa. Na perspectiva dos próprios, tratar-se-á, pois, daquilo que considerarão meros 'actos de gestão'...

E é por isso que me cheira que os modelos lhes são sempre ordenados pelos patrões, tal a frequência com que os 'jornalistas' de serviço aceitam repetir, até à exaustão, as mesmas falsidades já gastas e as torpes idênticas acusações, sempre sem fundamento, sem confirmação e sem o respeito pelo princípio do contraditório de que é feito o verdadeiro Jornalismo.

Os artigos que os nossos colunistas Luís Fialho, João Paulo Guerra e João Malheiro têm publicado n' "O Benfica" ao longo das últimas semanas e nesta edição, escancaram as razões para a sanha tablóide de Lisboa e para o vergonhoso 'jornalismo' a que se expõem os serventuários da indignidade.

Mas ter passiva consciência de que é assim que se passam as coisas, já não basta. É altura de, definitivamente, os Benfiquistas deixarem de comprar o correio dos manhosos. Ao mesmo quando lhes faltar o pão, logo hão-de emendar a mão..."


José Nuno Martins, in O Benfica

Os Touros marram sempre no vermelho !!!

Em muitos dos meus textos falo do anti-benfiquismo primário dos nossos adversários, algo facilmente comprovado, os exemplos são muitos. Aliás nesta última época tornou-se moda, assumir em público esta deformação!!! Hoje vagueando pela Net encontrei mais um exemplo delicioso!!!

Num dos Blog's Lagartos com maior audiência, Leão da Estrela, argumenta-se os aspectos positivos da contratação do Nuno Gomes pelo Sporting. Algo perfeitamente normal... Até que encontrei uma frase desconcertante:

"...E seria uma forma de os sportinguistas começarem a recuperar do trauma que representou a saída de João Moutinho para o FC Porto, há uma ano, num dos actos de gestão ruinosa da última década..."

A lógica é a seguinte: o capitão do Sporting é 'desviado' para o FC Porto, pelo FC Porto, e qual é a cura?!!! O Sporting 'desviar' o capitão do Benfica!!! E depois ainda ficam ofendidos quando nós, Benfiquistas, os apelidamos de Lagartos (anti-Benfiquistas)...

Mais uma lição de Benfiquismo...

...que sinto a obrigação de transcrever:

"CONSTRUAMOS POIS

O novo foco na tentativa de desestabilização do BENFICA, é o facto de nada termos ganho este ano. O que é pura mentira. Mas até concedo que para um CLUBE como o BENFICA, foi realmente um ano para esquecer...ou recordar. Este ano que findou, quanto a mim não foi de modo algum o desastre que nos querem fazer crer. Para meu espanto, a esmagadora maioria sente-se ou melhor diz-se Benfiquista quando o BENFICA ganha. Esta é que é a pura das verdades. Não que eu queira que o meu BENFICA perca. Fico doente quando isso acontece. Mas para mim o BENFICA, não é só alegrias. Isso são coisas efémeras. Para mim quando digo que sou BENFICA, está incluído o sofrimento, a tristeza mas nunca o desencanto. Para mim o BENFICA é encantamento, uma vez que desde que me fizeram BENFICA vivo um deslumbramento inexcedível e constante, só porque sou Adepto doente deste CLUBE. Não sou masoquista. Mas é na dor e no sofrimento que sempre me pergunto porque sou Benfiquista. E a resposta é sempre a mesma. Sou Benfiquista porque a parte da minha mente que trata do Sagrado, me diz que para além das coisas mundanas há uma diáfana realidade que se impõem por si mesma: o BENFICA é uma forma superior de "estar no mundo". O BENFICA é um cadinho onde as mais nobres qualidades humanas se burilam: a Honestidade, a Honradez, a Luta nobre e leal, o Respeito pelo Outro, a Lealdade, em suma uma série de Valores que nos arrogamos pomposamente de "homo sapiens".
Por isso mesmo o BENFICA é uma forma de vida, um projecto se quiserem, que nunca está acabado. Vai-se construindo, nos novos que chegam e nos velhos que partem. Se o BENFICA fosse só vitórias a esta hora teríamos mais de muitos Sócios e Adeptos. Mas não. Acima de tudo o BENFICA é POVO, e como tal não pode ser só um mar de rosas. Tem escolhos o caminho que trilhamos, e é ao enfrentar esses escolhos que mais nos deveríamos sentir herdeiros de COSME DAMIÃO. Mas e para acabar, uma vez que me desviei do que pretendia, quero perguntar aos profetas da desgraça: nada ganhámos certo? Mas desculpem lá os que ganharam tiveram que suar a jogar contra quem? Chegámos onde só os diferentes vencedores chegaram. Mas chegámos onde chegámos EM TODAS AS MODALIDADES. E quem nos ganhou não se pode ufanar disso. O segundo lugar ou finalista vencido não é para o BENFICA. Há poucos anos andávamos positivamente de"gatas". Agora aparecemos em todas. Não ganhámos? Paciência. Mas como disse o BENFICA está em permanente construção. Por isso daqui para a frente é só a melhorar. Contra tudo e contra todos."


sábado, 18 de junho de 2011

O perigo da grandeza

"A enxurrada nos jornais continua. São reforços e outros reforços com origem nas mais desencontradas latitudes. Afinal, quantas equipas vai ter o Benfica na próxima temporada? Quantos plantéis? O povo vermelho incomoda-se com a tendência da imprensa para empurrar jogadores rumo à Luz. Tempo perdido, energias desperdiçadas. É sempre assim nos defesos. Foi, é e será. O Benfica vende como nenhum outro clube em Portugal.

Para onde devem os simpatizantes da causa rubra mobilizar atenções? Para outros folhetins, esses sim, perturbadores. Nos últimos dias, multiplicam-se referências a Luís Filipe Vieira, a Rui Costa, a Jorge Jesus, a Nuno Gomes, a Fábio Coentrão. Demasiado cirúrgicas e, no essencial, depreciativas. Pior, em alguns casos, provocatórias mesmo. Há aí muita matéria gizada com o intuito de criar divisões no seio da família benfiquista. Importa que todos o percebam a saibam responder em conformidade.

Infelizmente, alguns benfiquistas que escrevem nos jornais e debitam nas televisões e nas rádios, não entendem o que está verdadeiramente em causa. Embarcam nas esparrelas, quais inocentes úteis. A questão é simples, tão simples como isto: numa altura em que o futebol do Benfica procura corrigir erros do passado e criar condições para uma época vitoriosa, não falta quem tente fomentar uma atmosfera tensa, susceptível de criar rupturas internas e distrair os responsáveis daquilo que é primacial.

Os nossos adversários sabem o que fazem. O Benfica incomoda muita gente. Os nossos correligionários, ainda que só alguns, não sabem o que dizem. O Benfica é mesmo muito grande. Nas virtudes? Também nos pecados."


João Malheiro, in O Benfica

Papel

"Chega-se a esta época do ano, o chamado defeso no futebol, e é sempre a mesma farsada: o Benfica, por ser verdadeiramente o único clube que faz vender papel de jornal, é todos os dias sujeito das mais aparatosas 'notícias' sobre compras e vendas, chegadas e partidas, contratações, roubos e desvios, jogadores na mira e empresários à coca. Já cheguei a ler, em letras garrafais, a 'notícia' da transferência de Ricardinho, da equipa de futsal para o plantel de futebol do Benfica. De maneira que quanto mais sencionalista é o pasquim mais fácil se lhe torna vender papel impresso com balelas, e esgotar edições, desde que o Benfica venha no título.

E as 'notícias' são, a maior parte das vezes, tudo menos o que lá está. São jogadas de empresários, para apresentar, promover ou subir os preços da 'mercadoria', que é assim que muitos deles encaram os profissionais da bola: objectos de compra e venda. São meras invencionices para vender papel - como a ridícula 'notícia' sobre o craque Ricardinho a passar para o relvado. São jogadas para denegrir dirigentes que não vão em cantigas - atribuindo-lhes intenções de compra sucessivamente falhadas, que, somadas, dão um rotundo 'fracasso'. São jogadas de clubes, associados ou não a empresários, para encarecerem aquisições de adversários. São, enfim, jogadas de especulação e da má-fé sem a mínima consideração pela dignidade de pessoas humanas com que os atletas merecem ser tratados.

Agora, em tempos de crise, a situação agudiza-se. E lá vem o nome do Benfica a servir como benemérito involuntário dos vendedores de papel impresso com tretas, o que não é a mesma coisa que jornais."



João Paulo Guerra, in O Benfica

Olhos nos olhos

"Dizia-me recentemente um consócio benfiquista que é essencial olhá-los (aos obstáculos) olhos nos olhos. Nesta singela expressão de benfiquismo está o grande desafio de coragem lançado a Job “Olha de frente tudo o que é grande”. Ou seja, reconhece os obstáculos, reconhece a sua grandeza, e apenas sendo grande os poderás ultrapassar. Para os ultrapassar, olha-os de frente.

Por vezes, é a própria grandeza que se transforma no obstáculo. A dimensão gigantesca do nosso Benfica é a sua maior riqueza, mas essa mesma dimensão pode ser o maior dos obstáculos. Reconhecer, com coragem, esta realidade e olhá-la olhos nos olhos é a única forma de transformar a divisão provocada pela pluralidade na união necessitada pela realidade.

Como é que se pode aglutinar o que, por natureza, é diversificado? Como é que se pode unir o que, por natureza, é diferente? A aglutinação surge espontaneamente nos festejos das vitórias, tal como surge espontaneamente nos momentos em que sentimos em perigo a própria sobrevivência do Benfica. Ou seja, a união surge nos momentos-limite. E o que fazer nos momentos, como o actual, em que as vitórias não surgem, mas o Benfica não está (como esteve num passado não muito longínquo) em perigo de sobrevivência?

Nestes momentos, o único caminho aglutinador é a união em torno das referências, daqueles que têm sido exemplo e testemunho de benfiquismo, daqueles a quem vulgarmente chamamos símbolos do Benfica e exemplos de benfiquismo. Para seguir este caminho aglutinador é preciso olhar olhos nos olhos para tudo o que é grande. É um exemplo de grandeza manter os símbolos do benfiquismo na casa do Benfica. Se queremos unir os benfiquistas, não podemos desviar o olhar desta realidade, temos de nos olhar olhos nos olhos."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Estranha incapacidade...






...em 'segurar' o resultado!!! A equipa demonstrou uma péssima percentagem de concretização, mas quando se colocou em vantagem, as 'coisas' ainda correram pior, a incapacidade em 'matar' o jogo foi gritante em todos os jogos... hoje a história repetiu-se, curiosamente com o resultado em 3-3, depois da 'soneca', voltámos a dominar o jogo... cometemos vários erros individuais, principalmente a defender, a equipa necessita de sangue novo, mais velocidade... mesmo assim hoje, o momento do jogo foi o 4º golo do Sporting (já o 1º deixou muitas dúvidas, onde a ausência de repetição nada ajudou...) , seria falta em qualquer campo de Futebol de 11, quanto mais em Futsal (são proibidos 'carrinhos' frontais), as equipas estavam a arriscar pouco, já cheirava a penalty's. Já o ano passado no jogo decisivo, existiu um atropelamento do Cristiano sobre o Ricardinho para penalty não assinalado, isto depois de ter sido marcado um penalty inexistente contra o Benfica...

Das muitas incidências do jogo, realço somente o comportamento animalesco do treinador Lagarto, um hino ao anti-desportivismo, e não foi só neste jogo, este senhor não sabe mais, já na Selecção era sempre o mesmo festival... escrevi aqui, com bastante antecedência aquilo que esperava desta final, independentemente do resultado, e parece que não me enganei... a única coisa que me escapou foi o tremendo 'galo' contra o Benfica, houve méritos e deméritos, mas tirando o auto-golo que acabou por não ter qualquer influência no resultado, nos três jogos, não tivémos uma única 'carambola' a nosso favor...!!!

Fui contra a contratação do Paulo Fernandes, a saída do jogador mais influente, não ajudou, qualquer equipa sentiria a falta do melhor jogador do mundo, durante a época a equipa parecia estar equilibrada, mas nos jogos mais 'apertados' faltou o desiquilibrador, e quando a consistência defensiva que seria de esperar deste treinador não apareceu, os títulos fugiram... uma coisa é ganhar contra o Benfica usando a motivação anti-benfiquista básica, outra coisa é ganhar ao serviço do Benfica, sem jogadores a 'espumar pela boca'... Seria fácil para mim neste momento exigir uma mudança tecnica, mas não o faço, o Benfica tem que se reforçar, e o treinador deve ter mais uma oportunidade, mas é só mais uma...

Nuno fará parte da nossa história

"Há dois anos defendi que Nuno Gomes, então com 33, devia renovar por um ou dois anos com o Benfica. Fui criticado por vários benfiquistas, abordado de forma desagradável porque Nuno Gomes estava velho e já não era solução.

Há dois anos prolongar o contrato era uma asneira, Vieira e Rui Costa tinham protegido um amigo que já pouco daria ao clube no entender de muitos. Dois anos volvidos parece que houve um clique colectivo com a saida do avançado aos 35 anos.

Imaginem a saída de Raul no ano passado, mais novo e ainda mais ligado ao Real Madrid e à sua história. Eu sei que Maldini e Nesta jogaram até mais tarde mas não eram avançados.

Muitos dos hipócritas que hoje criticam a sua saída foram os mesmos que criticaram a sua permanência em 2009.

Posso referi-lo até porque foi pública a minha admiração e defesa de Nuno como jogador. Como pessoa, foi simplesmente o jogador de futebol mais gentil e educado com que alguma vez me cruzei. Um principe no trato, um cavalheiro na postura e um profissional sempre que vestiu a camisola de águia ao peito.

Só não esqueço aquela Taça, que ao serviço do Boavista nos venceu por 3-2, com erros de Paraty mas uma soberba exibição do Nuno.

Nuno Gomes pelo que foi, e ainda pode vir a ser no Benfica, tem o direito de não ser usado como arma de arremesso. Nuno Gomes fará sempre parte da nossa história.

A ser verdade o que os jornais noticiam já estamos perto dos 150 jogadores. Tenho uma curiosidade monstra em ver quantos aparecem dia 22 na porta do Centro de Estágio do Seixal.

Verdadeiramente preocupante é o facto da nossa defesa estar a disputar a Copa América na altura das pré eliminatórias da Champions. Aí pode Jorge Jesus ter uma dor de cabeça.

«O que torto nasce, tarde ou nunca de endireita», e por isso a época tem mesmo que começar bem... Dia 22 começa."



Sílvio Cervan, in A Bola

Exemplar (mais uma vez...)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ir à bruxa...

"1. Não há nada que não nos aconteça esta época, já não falando no futebol. Com excelentes equipas nas modalidades, capazes, todas elas, de chegarem aos títulos nacionais, estamos em risco de não ganhar nenhum, sempre 'morrendo na praia'. Dominámos por completo toda a época de Voleibol e perdemos incrivelmente na final. Andámos na frente no Hóquei em Patins e ficámos 'colados' ao FC Porto que, com estranhas ajudas pelo meio, ficou campeão (mas ganhámos a Taça CERS). Dominámos a época no Futsal e, na final (que ainda não está perdida!), perdemos de forma incrível os dois primeiros jogos em casa (o de sábado, então...). No Basquetebol lutámos até à última (7ª partida) da final mas... não ganhámos. Só no Andebol não estivemos tão bem no Nacional embora tivéssemos brilhado na Taça de Portugal e chegado à final da competição europeia. A juntar a todos estes segundos lugares haverá que juntar, muito provavelmente, o do Atletismo... cada vez mais perto do Sporting. Claro que é mais fácil (e barato...) apostar em duas ou três modalidades (como fazem Sporting e FC Porto) do que em todas as cinco de pavilhão e ainda no Atletismo e no Projecto Olímpico. Mas, apesar dos vários 'murros no estômago' sofridos nas últimas semanas, continuo a sentir-me orgulhoso pelo facto de o Benfica estar em todas e a lutar pelos títulos até ao fim. O azar não haverá de estar sempre a bater-nos à porta...


2. Por princípio, não discuto as opções dos treinadores. Eles sabem (muito) mais que eu, têm dados que eu não possuo (por exemplo, como treinou cada um dos jogadores ao longo da semana), estão tão interessados, quanto eu (embora admita que por motivos diferentes) numa vitória do Benfica. Também quanto às escolhas dos jogadores para o plantel, não discuto as opções da direcção e do treinador - eles é que têm os dados todos do problema. Vem isto a propósito de Nuno Gomes. Sou dos que sempre gostaram do nosso avançado e não daqueles que passaram anos a assobiá-lo e agora ficam todos excitados quando ele sai do banco para o aquecimento. Também eu gostaria de continuar a vê-lo a vestir a nossa camisola. Mas respeito as opções do treinador (que porventura entende que já não é necessário) e do jogador (que pelos vistos prefere continuar a jogar mais uma época, eventualmente noutro clube). Não façamos disto mais um caso..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Grande reforço para o Hóquei

Aqui está o primeiro reforço para a próxima temporada, para a secção de Hóquei Patins, Carlos López, goleador, internacional Argentino, passou os últimos 7 anos no Barcelona, antes tinha jogado 7 anos no Liceo da Corunha!!! São vários os jogadores veteranos a jogar ao mais alto nível, parece-me uma excelente aquisição tendo em conta o Nacional, mas também a Liga dos Campeões.
Nos últimos dias também foi anunciado as renovações de contrato, com os nossos jovens, João Rodrigues e Diogo Rafael...

Coulrofobia

"É comum entre crianças, dizem os psiquiatras, mas também ocorre com adolescentes e adultos. 'Ao deparararem-se com um indivíduo vestido de palhaço, os portadores dessa fobia têm ataques de pânico, perda de fôlego, arritmia, suores frios e náusea'.

D. Palhaço é um destroço. Está velho e senil. Diz coisas sem sentido. Rosna, late e, sobretudo, grunhe. Ainda assim mete medo. Coulrofobia, dizem os médicos. Talvez isso explique a subserviência e o lambe-botismo dos que escrevem opiniões nas quais nada opinam, dos que deviam investigar e não investigam, dos que deviam esclarecer e não esclarecem.

Quem tem medo de D. Palhaço? Toda a gente! Pseudo-jornalistas, pseudo-políticos, pseudo-juízes. D. Palhaço está podre. Por mais que ameace entrar-nos pela casa dentro todas as semanas com um número de circo. Ele sabe de verdade comprovada que o ridículo não mata: é a personificação do ridículo e não está morto. Fede, mas ainda não está morto.

Por haver tanta gente a sofrer de coulrofobia, D. Palhaço julga-se eterno. O medo dá-lhe vida. O medo alheio alimenta-lhe o ego. Pobre palhaço pobre. Há nele o esgar bacoco de quem não concebe o mundo sem medo, sem violência, sem ameaças. Pintando a giz sobre a boca, um sorriso estúpido: o sorriso macabro que vem do pânico dos outros. Muitos fogem, muitos calam-se, muitos mais dobram a cerviz e obedecem às suas ordens enlouquecidas pelo ódio. D. Palhaço já não é mais do que um farrapo, mas ainda há tanta gente com medo de palhaços...

A cada grunhido de D. palhaço, multiplicam-se os ataques de pânico. A cada rosnido de D. Palhaços há milhares que perdem o fôlego. A cada gracejo imbecil de D. Palhaço, é um não mais acabar de arritmias e suores frios.

Outros há, como eu, que dispensam tudo isso: só sentimos náusea."


Afonso de Melo, in O Benfica

D. Palhaço e a sua irresistível atracção por mulheres baratas

"Se há algo de que não se pode acusar D. Palhaço é de não se interessar por mulheres. De diversas idades, diversas cores e de diversos preços... Há quem diga que cada vez mais baratas, mas já se sabe como são as más-línguas no que a mulheres diz respeito.

Maio é mês de Rosas e de Fátimas. E com Maio no fim, D. Palhaço não perdeu a oportunidade de, meloso, rogar a Fátima:

-Fátinha, faz!...

E Fátinha fez.

-Um luxo!, disseram logo alguns.

-De génio!, disse logo o Lambe-Botas, de língua negra de azeviche de tanto andar com ela para cá e para lá em superfícies engraxadas.

-Uma obra de joelharia acrescentou um terceiro, convencido de que as obras de joelharia são assim chamadas porque se fazem de joelhos.

D. Palhaço brilhou. Os palcos são lugares onde se sente bem.

Sobretudo quando lhe dão carta branca para largar as suas porcarias, as suas breijeirices insuportáveis com o maior dos à-vontades. D. Palhaço mentiu. Mentir para ele é uma arte. Arte de palhaço pobre que a mentir ganhou a vida.

D. Palhaço insultou. O insulto é para ele a expressão natural da sua falta de educação, da sua tacanhez, do seu cérebro caliginoso.

D. Palhaço, exigiu:

-Fátinha, lava!...

E a Fátinha lavou, o mais branco possível, tudo o que o freguês deu ao rol. Cantando:

«Ó rio não te queixes

Ai o sabão não mata

Ai até lava os peixes

Ai põe-nos cor de prata...»

A D. Palhaço dá sempre jeito ter uma Fátinha que lave mais branco. À Fátinha dava jeito um bocadinho de dignidade, ou pelo menos uma pontinha de nojo. Fátinha canta:

«Um lençol de pano cru

Vê lá bem tão lavadinho

Dormindo nele, eu e tu...»

D. Palhaço, sempre irresistivelmente atraído por mulheres (há quem diga que cada vez mais baratas), católico apostólico e romano como poucos, já deixou Fátima para trás: vai a caminho de Lurdes, Ou de Roma, quem sabe?"


Afonso de Melo, in O Benfica

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nuno Coelho

No meio de tantos nomes, até agora só o Bruno César, o Matic, e o Artur tinham sido oficializados. Portanto aqui está o 4º reforço confirmado para a próxima época:



Lembro-me bem dos jogos do Nuno Coelho nas Selecções jovens, era um jogador diferente, um médio-ofensivo com bastante qualidade de passe. Com a idade, acabou por recuar no terreno, mas não é um trinco, na minha opinião tem muitas parecenças com o Ruben Amorim...

Um grande departamento de ralações

"O Nuno Gomes vai para o Sporting? A questão pairou ontem na nação benfiquista nas horas que se seguiram ao anúncio da despedida do jogador. Se em vez de ter jogado durante uma década no Benfica, Nuno Gomes tivesse sido jogador do FC Porto e o clube entendesse que não havia interesse em mantê-lo por mais um ano no activo, certamente que Nuno Gomes iria para o Sporting.

Tal como fez Fernando Gomes, uma glória do FC Porto. Quando o FC Porto não o quis mais como jogador, o bi-bota rumou a Alvalade e ainda conseguiu provar a sua utilidade ainda que num patamar abaixo da qualidade da competição. E, vinte anos depois dessa sua experiência na casa de um rival, Fernando Gomes haveria de regressar ao FC Porto onde ocupa, actualmente, um posto profissional no departamento de relações do clube que foi sempre o seu.

Nuno Gomes, no seu caso, ainda não está virado para o departamento de relações e muito certamente, com a sua saída, deixará aberto na Luz um grande departamento de ralações. A dispensa fria de um jogador carismático, sendo uma opção técnica com superior aval político, poderá constituir uma forte ralação para todos os responsáveis do Benfica caso os projectos de renovação em curso não dêem logo nas primeiras semanas da próxima temporada os resultados ambicionados.

Entre os dois Nuno Gomes há pontos comuns e pontos díspares. Por exemplo, Nuno Gomes, deixando de usar chuteiras, nem teria de esperar os vinte anos que Fernando Gomes esperou para regressar à casa-mãe visto que, justamente com a guia de marcha do balneário, recebeu um convite para integrar a estrutura da SAD do Benfica não aceitou porque pretende prolongar a sua carreira como jogador por mais um ano.

Compreende-se. E quem viu, este ano, um Nuno Gomes ultra-certeiro, a facturar golos nas raras vezes que foi mandado saltar do banco para o relvado, só pode respeitar e levar muito a sério esta vontade do jogador de continuar a fazer golos com uma outra camisola e com um outro emblema.

Será com a camisola do Sporting que Nuno Gomes vai voltar a fazer golos? Ou com a camisola do FC Porto?

Os adeptos do Benfica interrogam-se porque estas coisas preocupam sempre. E mesmo aqueles adeptos do Benfica que nunca se cansaram de assobiar Nuno Gomes e só descobriram este ano, em que praticamente não jogou, que ele era indispensável, esses mesmo são os primeiros a arrepiar-se só de imaginarem um Nuno Gomes de verde ou de azul e às riscas, como é comum nos equipamentos dos dois maiores rivais do Benfica.

A decisão de não contar mais com Nuno Gomes no Benfica é muito discutível, vai ser muito discutida, mas é corajosa da parte de Jorge Jesus. Revela que o treinador do Benfica acredita nas potencialidades da equipa que vai dirigir e, não menos importante, acredita também nas suas próprias capacidades para cumprir um percurso que se advinha difícil.

Jorge Jesus será muito feliz em 2011/2012 se passar a época toda sem ter de ouvir falar de Nuno Gomes. E para isso acontecer o Benfica terá de jogar muito bem e de marcar golos, muitos golos. Dando-se o caso contrário, é certo e sabido que a cada falhanço dos avançados do Benfica diante da baliza adversária, logo se ouvirão milhares de vozes, vindas das bancadas, clamando vingativas:

-Eh pá, esta até o Nuno Gomes metia!

E é isto que se chama um grande departamento de ralações.




NA Suíça, o Servette subiu à primeira divisão pela mão de João Alves e presta-se agora a reforçar o contingente português com a contratação de Costinha para o cargo de director-desportivo. Costinha vai partir para mais uma aventura no estrangeiro sem rancores de qualquer espécie para com o Sporting, a sua última entidade patronal.

Costinha apenas lamenta que, ao contrário do que se passou no seu fugaz consulado em Alvalade, haja agora «dinheiro para tudo», referindo-se aos capitais necessários para comprar os jogadores que não teve autorização para ir buscar.

Mas o sportinguismo confesso de Costinha não pode ser minimamente posto em causa. «Amo o Sporting e vou estar na Suíça sempre com a televisão ligada para acompanhar a equipa», garantiu pondo até em risco a sua relação profissional com o clube suíço que lhe contratou os préstimos.

-Então mas o Monsieur Costinha está aqui para ver os jogos do Servette, que lhe paga o salário, ou do Sporting de Gijón? - vão-lhe perguntar, com cara de poucos amigos, os seus novos patrões.

-Não é o Sporting de Gijón, é o Sporting de Lisboa - há-de responder João Alves, apressadamente.

-Desculpa João, mas não é o Sporting de Lisboa, é o Sporting Clube de Portugal! - corrigirá Costinha, orgulhoso do já secular naming.

Mas esta parte final dos diálogos já nem sequer foi escutada pelos dirigentes do Servette que tinham saído porta fora, confusos e desanimados. Não têm, no entanto, motivos para tais sentimentos.

Costinha é um profissional e também vai gostar do Servette. Aliás, em toda a sua carreira como jogador, Costinha nunca marcou um golo ao Servette. E se marcou, de certeza que não o foi comemorar com danças desafiadoramente triunfantes para juntinho da bancada de sócios do popular clube suíço.




O Benfica contratou Melgarejo, um paraguaio goleador, para substituir Cardozo, outro paraguaio goleador. Lendo os jornais parece que ninguém avisou Cardozo que vai ser substituído por um compatriota, tantas são as declarações de afinco para a próxima época que o Paraguaio I vem produzindo nas últimas semanas. Isto ao ponto de recusar trocar o Benfica por propostas bem compostas vindas de outros pontos do globo.

O Paraguaio II, no entanto, tem a certeza do ao que vem. «É uma honra substituir Cardozo», disse e deve estar verdadeiramente muito bem informado.

Aqui, o negócio é golos. E Óscar Cardozo provou ser o melhor goleador do Benfica desde os tempos já longínquos de Matts Magnusson, facto brilhante que nunca chegou para convencer uma fatia larga de adeptos benfiquistas. E Cardozo até conquistou, no ano passado, uma Bola de Prata, troféu que nenhum outro jogador do Benfica, nem Nuno Gomes, conquistara desde a Bola de Prata de Rui Águas, em 1990/1991. E com isto passaram-se exactamente vinte anos.

Melgarejo nem sabe a alta exigência que o espera. É bom que venha preparado para superar esse choque. E o Paraguaio II começou mal a sua aventura portuguesa.

De acordo com os jornais, assim que desembarcou no Aeroporto da Portela foi logo arrecadado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que o obrigou a umas inesperadas horas de espera antes de poder, finalmente, ver o incomparável céu de Lisboa.

É que Melgarejo chegou a Portugal com passaporte de turista e o pessoal do SEF, todos benfiquistas danados, entenderam, e bem, que se Melgarejo vinha com passaporte de turista é porque estava a contar vir de férias para o Benfica, o que não se admite da maneira nenhuma. Esteve, assim, o nosso novo recruta detido por um aborrecido par de horas no aeroporto cumprindo, a mando das autoridades nacionais, um todo novo ritual de chegadas de jogadores.

Foi bom que tivesse acontecido como aconteceu. Até para provar, com grande honra para as nossas cores, que o Benfica não está acima da Lei.

Força Melgarejo! E não te ponhas também a falhar penalties porque foi por aí mesmo que o teu infeliz compatriota de desgraçou entre nós."


Leonor Pinhão, in A Bola

O erro de Fábio

"Muitos adeptos do Benfica estão desolados: a época “desastrosa” termina com um “desastroso” processo contra Fábio Coentrão.

Ora, nem a época foi desastrosa nem o processo é desastroso. O Benfica foi 2.º no campeonato, chegou às meias-finais da Liga Europa e da Taça de Portugal, e ganhou a Taça da Liga. É pouco? Segundo as contas que fiz, foi a terceira melhor época do clube nos últimos dez anos.

O problema está na comparação da época passada com esta. E nas “humilhações” contra o FC Porto – que os benfiquistas não perdoam, porque não aceitam que o FC Porto da época passada era quase imbatível.

Falando agora de Fábio, é óbvio que tinha de ser processado. Ao dizer que queria ir para o Real e até já lá tinha a cabeça, Coentrão fragilizou a posição negocial do Benfica. Se um jogador diz que a sua vontade é mudar de ares, o clube onde está perde margem de manobra e o valor da transferência baixa.

E se é certo que o Benfica deve muito a Fábio, certo é também que Fábio deve ainda mais ao Benfica.

Quando regressou à Luz, vindo do Rio Ave, Fábio Coentrão era um jogador vulgar, daqueles que abundam nas equipas do meio da tabela. Ora Jesus percebeu-lhe as qualidades, mudou-lhe a posição e o modo de jogar, motivou-o – e fez dele um dos melhores laterais do Mundo.

Fábio podia estar hoje numa cidade de província a marcar passo – e está em vias de ir para Madrid como grande estrela.

E é também por isso que um treinador pode ser importante: para identificar talentos, potenciá-los, pô-los a jogar e a deliciar os adeptos durante dois ou três anos – permitindo ao clube fazer amanhã bons negócios."


quarta-feira, 15 de junho de 2011

A torre de Babel

"Sassá. Imorou. Rodrigo Defendi. Sami. Balú. Kiko. Tinoco. Ouattara. Amessan. N'Jock. N'Djeng. Issan El Adoua. Barrientos. Josué. Balú. Dedé. Kelvin. Guardado. Rinaudo. Vitor Golas. Alex. Dzsudzsak. Bamba. Domeneghini. Fabiano Freitas. Uche. Jonathan Maidana. Jonathan Bottinelli. José Angel. Bobô. Christophi. Arias. Kerrouche. Sunnil Chhetri. Ivan Piris. Sotiris Ninis. Takashi Usami. Ansaldi...

Eis uma amostra de jogadores contratáveis ou simplesmente aflorados para jogar na nossa Liga. Principalmente pelos grandes de Lisboa. O defeso no seu esplendor!

Uma verdadeira torre de Babel de nacionalidades, de línguas e de culturas. A globalização futebolística, enxameada de intermediários que impingem jogadores por catálogo de conveniência e vídeos criteriosamente seleccionados ou amputados.

Nestas alturas, pergunto-me se, no nosso Portugal, não há jogadores capazes de ombrear com tão ilustres desconhecidos dos quatro cantos do mundo. E imagino os sonhos desfeitos, ou pelo menos adiados, de tantos jovens portugueses que fazem a sua iniciação futebolística e depois desaparecem no nevoeiro do esquecimento. Até nos escalões mais jovens, há já estrangeiros em boa dose.

Nada tenho contra jogadores de outros países. Mas já sou contra a xenofilia do estrangeirismo, como moda e cartão de modernidade. Porque, tirando alguns jogadores de excepção, as alternativas portuguesas em nada são inferiores às da estranja. Com uma diferença: falam a nossa língua, conhecem a nossa realidade e podem ser melhor acompanhados na fase crítica da juventude.

A liberalização deveria ter limites que defendessem o mercado interno. Como noutros países. E que evitassem equipas totalmente ou quase totalmente sem um jogador português."


Bagão Félix, in A Bola

Obrigado Nuno...

aqui escrevi o que penso da não renovação do contrato com Nuno Gomes, hoje tivemos a confirmação. Mesmo assim tenho que realçar um novo fenómeno Benfiquista: nos últimos meses, semanalmente, acontece sempre alguma coisa no Benfica, que leva a alguns Benfiquistas a escreverem nos seus Blog's frases do tipo: 'o Benfica acabou', 'tenho vergonha de ser do Benfica', 'os valores Benfiquistas já não existem', etc, etc, etc... A minha dúvida neste momento é a seguinte: o que é que vai acontecer para a semana?!!!


"Em virtude das muitas notícias publicadas sobre a minha situação no Benfica, venho, por este meio, esclarecer o sucedido. Hoje, fui informado, definitivamente, que o Benfica decidiu não renovar o contrato que tinha comigo.
É uma opção técnica que respeito como sempre respeitei, concordando ou não.
A partir deste momento sinto-me livre de analisar todas as propostas que possam surgir e escolher o meu futuro.
Despeço-me do Benfica, desejando toda a sorte do Mundo e com a certeza de ter dado tudo por esta camisola dentro e fora do campo.
Gostaria de me ter despedido dos adeptos dentro de campo para lhes agradecer tudo o que me deram mas encontrarei outra forma de o fazer. Obrigado por tudo
"
Comunicado de Nuno Gomes

"Até breve, Nuno!
Foi endereçado, de forma reiterada, um convite a Nuno Gomes para integrar, a partir da próxima época, a estrutura da Benfica, SAD. O atleta deixou claro que pretende jogar durante, pelo menos, mais uma temporada.
Agradecendo a Nuno Gomes o seu percurso, o seu trabalho e dedicação ao Clube, a Benfica, SAD quer desejar-lhe as maiores felicidades desportivas, deixando claro que as portas desta casa estarão sempre abertas para quando ele entenda terminar a sua carreira desportiva."


FIFA Kaos (caminho da perdição) !!!

Os principais Campeonatos Europeus terminaram, os jogadores foram para férias, mas o Futebol não parou!!!

Num ano sem Campeonato do Mundo, sem Campeonato da Europa, e sem Jogos Olímpicos, seria de supor algum descanso, mas não, bem pelo contrário:

Campeonato do Mundo de sub-17, Campeonato do Mundo de sub-20, Campeonato da Europa de sub-21, Copa América, Gold Cup...

Alguns são organizações FIFA, outros são torneios da responsabilidade da Confederação 'local'... Todas estas competições têm uma caracteristica especial:

Os jogadores profissionais que participam nestas provas são pagos pelos Clubes. E o gigantesco 'bolo' das transmissões televisivas destes torneios vai direitinho para a FIFA, para a UEFA, para a CONCACAF, CAF, CONMBOL... isto é que é um negócio da China!!! Ainda por cima os países organizadores pagam as infra-estruturas, e a logística...

Tudo isto sem o mínimo respeito pelos jogadores, e muito menos pelos Clubes, dou um exemplo:

O Benfica por causa do Mundial de sub-20 vai ficar sem o Nelson Oliveira, e o Roderick (falo destes, porque são os mais 'prováveis' no plantel principal), que não vão estar disponíveis para a pré-eliminatória da Champions. O Daniel Wass, está neste momento a jogar o Europeu de sub-21, quando acabar a sua participação o Benfica já vai estar a treinar. É verdade que nos últimos 6 meses foi 'encostado' no seu ex-clube, mas vai chegar ao Benfica sem férias. Na Copa América vamos ter o Luisão, e o Maxi (e ainda a possibilidade do Garay, e do Enzo Pérez caso se confirme as suas contratações). O nosso Capitão, e o nosso Tractor com 'tracção à direita', ainda não tiveram férias, mal acabou a época em Portugal regressaram aos seus Países e entraram imediatamente, na preparação das suas Selecções. Estes dois jogadores já o ano passado com o Mundial na África do Sul tinham tido o período de descanso curto.

Pergunto: Quando terminar a participação do Brasil, e do Uruguai na Copa América, será que o Benfica vai permitir a ambos os jogadores umas curtas férias (2 ou 3 semanas)?!!! Ou regressam imediatamente, para fazer uma longa e cansativa época sem férias?!!!

O International Board anda cego quanto às necessárias adaptações das regras, e dos métodos, aos novos tempos, e a FIFA anda cega com a cor do dinheiro que passa pelos bolsos dos seus funcionários. Tomar medidas em defesa do Jogo (dos Jogadores, dos Clubes, dos Adeptos...), que dificultem o lucro imediato, é algo impensável...

Não gosto de ser catastrófico, mas este é claramente o Caminho da Perdição...